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Centro de Seringueira e Sistemas Agroflorestais


Condições edafoclimáticas

Tradicionalmente, a seringueira tem sido cultivada na região equatorial entre as latitudes de 10ºS e 10ºN, com maior produção entre 6ºN e 6ºS., segundo Pushparajah(1983). Nessa faixa, a cultura aparentemente encontra condições ideais para desenvolvimento, representadas por temperatura média anual de 28+2ºC, pluviosidade anual de 2.000 a 4.000mm, distribuídas uniformemente durante todo o ano, solos com permeabilidade e profundidade adequadas e pH entre 3,8 e 6,0 (ótimo: 4,0 a 5,5).


Entretanto, em conseqüência das dificuldades de produção no trópico super-úmido da América Latina (especialmente na Região amazônica) e do aumento da demanda da borracha natural, várias regiões do mundo, fora da zona convencional, iniciaram o seu cultivo. Na China, os plantios de seringueira estão sendo estabelecidos em latitude de 18 a 24ºN (Huang & Zheng, 1983), em Bangladesh de 23 a 24ºN (Pushparajah, 1983), enquanto, no Brasil, os plantios estão se expandindo para latitudes de 19 a 23ºS, incluindo Minas Gerais, Espírito Santo e o Norte do Paraná, evidenciando a grande adaptabilidade da seringueira às mais diversas condições ecológicas.


Embora com totais anuais reduzidos de chuvas (1100 a 1300 mm), o confronto entre as curvas de evapotranspiração e da chuva resulta num equilíbrio híbrido favorável para o ciclo fenológico e para a produtividade de látex da seringueira. A sazonalidade tropical nessa região é caracterizada por verão úmido (outubro a março) e inverno seco (abril a setembro). A partir de outubro o aumento das temperaturas e da demanda híbrida é coincidente com maiores precipitações. A partir de abril, com redução gradativa das chuvas, ocorrem temperaturas mais baixas e menor demanda híbrida. Esse relativo equilíbrio térmico e híbrido é favorável para o ciclo fenológico e para a produtividade de látex da seringueira.


A sazonalidade da área foliar da seringueira na fase adulta é determinada pelo clima. No Estado de São Paulo essa periodicidade compreende senescência, com área foliar mínima entre agosto-setembro; reenfolheamento e florescimento em setembro-outubro; área foliar máxima e frutificação entre novembro e fevereiro, com início da deiscência dos frutos. A partir de março, até junho, a planta dispõe do máximo de energia e condições de produtividade, sem outros drenos para competir com a produção de látex (Ortolani et al., 1996).


A seringueira é suscetível a temperaturas baixas principalmente na fase jovem, e aos dois anos apresenta suscetibilidade à geada semelhante ao café.


Há quem diga que a seringueira é pouco exigente, que se adapta a qualquer tipo de solo, mesmo onde não é possível cultivar outras culturas. Realmente, ela vegeta em ampla faixa de solos ácidos dos trópicos úmidos. Entretanto, seu desempenho e viabilidade econômica podem ser restringidos em condições desfavoráveis ao desenvolvimento radicular, como ocorre em solos turfosos, ácidos e pouco profundos ou em solos altamente compactados; também, nem sempre aceita solos com pH acima de 6,5 (Watson, 1989). Carência de nutrientes não representa a maior limitação ao plantio, uma vez que pode ser corrigida através da aplicação de fertilizantes.


No que se refere ao tipo de solo mais indicado para a seringueira, tem-se como certo que um bom solo é aquele que apresenta propriedades físicas importantes, como porosidade, capilaridade e poder de retenção de água. Os solos soltos, porosos e de fácil drenagem favorecem o crescimento de seringueiras. Contrariamente, os argilosos pesados, compactados e de difícil drenagem, retardam-lhes o desenvolvimento.


Do ponto de vista edafoclimático, o Estado de São Paulo possui um potencial de área de cerca de 14 milhões de hectares altamente favoráveis de solos leves e profundos, e aptos ao cultivo da seringueira; aliados ao caráter sazonal do clima, possibilitando rápido crescimento das árvores e escape à principal enfermidade denominada "queima das folhas" causada pelo fungo Microcyclus ulei (P. Henn) v. Arx, ensejando inclusive o plantio de clones selecionados para altas produções. Portanto, considerando o crescimento rápido, excelente estado fitossanitário, apresentando estandes aptos ao início da sangria a partir do sexto ano, e produtividade inicial compatível com as melhores produtividades obtidas em países asiáticos, atesta a viabilidade econômica da heveicultura no Estado.


A sua região norte, em latitudes inferiores a 20º 30’S, com melhor estabilidade térmica, menor freqüência de geadas e de ventos frios, a exemplo do polo de produção em torno de São José do Rio Preto, são preferenciais para essa cultura.


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