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Três novas cultivares de café arábica do IAC apresentam ganhos de produtividade que variam de 35% a 70%

Elas estão entrando no lugar de outros materiais, como o IAC Mundo Novo e IAC Catuaí, que ocupam 90% dos cafezais brasileiros, mas são suscetíveis à ferrugem
 
Por Carla Gomes (MTb 28156) e Mônica Galdino (MTb 47045) - Assessoria de Imprensa - IAC
 
Três novas cultivares de café arábica desenvolvidas pelo Instituto Agronômico (IAC), de Campinas —IAC Catuaí SH3, IAC Obatã 4739 e IAC 125 RN —, que estão sendo adotadas pelo setor de produção, têm superado entre 35% e 70% a produtividade da cultivar IAC Catuaí, nos experimentos realizados pelo IAC nos Estados de São Paulo e Minas Gerais. Essas novas cultivares também são resistentes/tolerantes à ferrugem-da-folha, principal doença do cafeeiro causadora de perdas de 30% a 50% na produtividade, segundo Júlio César Mistro, pesquisador do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
“Elas estão sendo muito bem aceitas, porém o manejo agronômico, incluindo adubação, espaçamento, poda e outros, deve ser diferenciado em relação às cultivares mais tradicionais, tais como Catuaí e Mundo Novo. Não se pode conduzi-las como estas outras cultivares IAC, senão as suas genéticas não serão potencializadas”, afirma Mistro.
As novas cultivares estão entrando no lugar de outros materiais já lançados pelo Instituto, como o IAC Mundo Novo e IAC Catuaí que, apesar de ocuparem cerca de 85% dos cafezais nacionais, são suscetíveis à ferrugem. De acordo com produtores, a despesa para controlar a ferrugem gira em torno de 8% do custo total da produção, por saca.
Em Mococa, interior paulista, a cultivar IAC Catuaí SH3 produziu 39 sacas, por hectare, frente a 29 sacas, por hectare, do Catuaí Amarelo IAC 62. “Isso representa um acréscimo de 34%”, diz o pesquisador. Em Franca, também no interior paulista, a produtividade foi 40% superior, atingindo 57 sacas, por hectare, contra 40 sacas, por hectare, da Catuaí Vermelho IAC 99. “Nessas mesmas condições, a cultivar IAC Catuaí SH3 não apresentou nenhum sintoma do ataque da ferrugem”, relata o pesquisador.
A IAC Catuaí SH3, além da produtividade e resistência à ferrugem-da-folha, possui menor exigência hídrica. Com esse perfil, pode ser cultivada em regiões mais quentes ou onde tem havido veranicos mais frequentes nos últimos anos.
Em Patrocínio, Minas Gerais, a cultivar IAC 125 RN produziu 66 sacas, por hectare. Em Patos de Minas, outro município mineiro, ela rendeu 60 sacas, por hectare, onde a Catuaí Vermelho IAC 144 produziu 40 sacas, na mesma área. Nos dois locais, foi usada irrigação. “Em Mococa, a IAC 125 RN teve um ganho de 60% na produtividade, com 59 sacas, por hectare, enquanto a Catuaí Vermelho produziu 36 sacas”, diz. Mistro. A cultivar IAC 125 RN possui também resistência ao Meloydone exigua, nematoide que ataca o sistema radicular do café arábica e causa severos prejuízos.
De acordo com o pesquisador, a cultivar IAC Obatã 4739 superou a Catuaí Amarelo IAC 62em 40% — foram 83 sacas contra 59 sacas, por hectare, na cidade paulista de Gália. “Em Ribeirão Corrente, a produtividade foi menor 12%, com 45 e 40 sacas, por hectare, respectivamente; já em Franca superou em 35%, produzindo 50 e 36 sacas, por hectare”, diz o pesquisador. Na cidade mineira de Patrocínio, foi registrado o maior ganho na produtividade, batendo os 70% de superioridade: 55 contra 32 sacas, por hectare.
Segundo Mistro, as cultivares possuem excelente vigor e boa ramificação, o que acarreta boa produção. A IAC Obatã 4739 e a IAC Catuaí SH3 apresentam maturação média para tardia. Já a IAC 125 RN tem maturação média para precoce. “As três cultivares apresentaram excelente qualidade da bebida”, diz.
As três cultivares têm porte baixo, característica valorizada por pequenos produtores e também por aqueles que têm lavouras mecanizadas. “Atualmente, há uma preferência dos cafeicultores por cultivares de porte baixo por facilitarem a colheita”.
Devido à resistência à ferrugem, essas três cultivares do IAC podem ser adotadas no cultivo orgânico, nicho de mercado que proporciona aumento na renda dos agricultores. “O valor da saca do café em plantio convencional é de R$ 440,00, enquanto que no sistema orgânico chega até a R$ 1.500,00 a saca”.
A apresentação desses novos materiais foi feita em dias de campo e em visitas de produtores nessas fazendas onde estão plantadas as cultivares. Segundo o pesquisador, há previsão de expansão das áreas de cultivo. As sementes estarão disponíveis a partir de 2018, para o IAC 125 RN, e de 2020, para as outras duas.
As pesquisas do IAC na área de café têm o intuito de desenvolver cultivares resistentes às pragas, doenças e nematoides, aliadas à excelência na qualidade física e química de grãos e bebidas. “Essas são novas opções geradas pela pesquisa paulista que abrem possibilidades de agregação de valor à produção agrícola, como recomenda o governador Geraldo Alckmin”, diz o secretário de Agricultura, Arnaldo Jardim.
 

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